sábado, 15 de agosto de 2009

Chapeuzinho é fichinha

Vou contar a história de um menino que ia visitar a casa da vovó. É isso mesmo, um meniNO! Não errei o gênero do personagem principal da história, pois essa não é mais uma versão da fábula da Chapeuzinho Vermelho. A situação da chapeuzinho é fácil diante da desse garoto.

Enquanto ela caminha contente por um longo caminho deserto, ele percorre preocupado, um curto caminho habitado. Em vez de ter por perto um lobo mal falante, há um quarteirão de quatro senhoras apertadoras de bochecha.

Não existe moral, bosque, nem floresta, tudo acontece em uma pequena cidade do interior. Portanto, só há duas semelhanças entre as duas histórias, o caminho para a casa da vovó e as duas opções de trajeto, o mais longo e o mais curto. Pelo primeiro era mais seguro e sem tantos obstáculos, já pelo outro...

Para ir para a casa da vovó o menino passava por cinco esquinas. Ele caminhava tranqüilo, com longas passadas e balançando a cabeça de um lado para o outro como se ninguém estivesse reparando seu estranho jeito de andar. Até q
ue uma voz fina, alta e gasguita lhe desperta do transe:

- MEU AMIGUINHO!! VENHA CÁ!! PAf! PAf! PAF! – Três fortes tapas lhe acertam as costas junto a um apertão arrochado. TUDO BEM COM VOCÊ? – perguntou a senhora que morava na segunda esquina. Ela era a mais violenta de todas.

- Tudo – o menino responde timidamente.

- HAHAHAHA!! MAS É MUITO LINDO. E ME DIGA UMA COISA, VOCÊ VAI PRA ONDE?

- Vou pra casa de vovó.

- HAHAHAHAHAHA!!! PAF! PAF! PAF! – desta vez, o menino desequilibra com os tapas.

Ufa! Depois de muita bofetada e pouca conversa, após 15 minutos é possível continuar o percurso. Passa uma casa, na outra encontra Dona Bilina, uma simpática velhinha de 80 anos, a qual sempre pede a benção. A partir desse ponto, ele se prepara para enfrentar as outras três senhoras que perturbam seu trajeto.


O menino faz uma careta bem feia e apressa o passo, espera que assim ninguém o reconheça. Idéia boba, não adianta, a mulher do olho de vidro percebe sua presença.


- Meu remedim!!!

- oi – o menino a responde com um sorriso sem graça
- Eu to com uma dor de cabeça. Deixa eu dar um xero – antes que ele responda, a mulher do olho de vidro se abaixa e dá uma longa fungada na cabeça do menino, com o pretexto de curar a suposta dor.


Agora só restam duas. Uma tem problem
a de memória e não reconhece quem é o menino. Alívio? Não. É justamente esse o problema, ela sempre o para pra perguntar: Como é seu nome? E é filho de quem? Qual Luis?

A outra, habita a última casa do quarteirão. Sempre insiste em repetir a mesma historinha constrangedora – “Nunca me esqueço quando tu bem pequeninim falou: Eu num nado como peixe, porque peixe nada balançando a bundinha” – depois dá uma sacudidela e sorrir.


Enfim, não há mais nada para atrapalh
ar, constranger, atrasar, bater ou apertar. Basta atravessar a calçada de butecos, pegar o atalho por dentro da budega do Seu Raimundo e chegar ao destino final. A casa de Vovó.

8 comentários:

Iara disse...

Leozim!!! hehehhe
Adoro suas histórias!!!! hehehhe

Iara

paula acotirene disse...

adorei!é a sua cara,Leo!

beijinho!

La.rissa disse...

kkkkkkkkkkkkkkkk
essa história me diverte muito...todas as 1.325 vezes que tu conta!
uahuahauhau

Andarilha da cidade disse...

Melhor do que ler isso, só ver tu interpretando isso...

Leo Maia disse...

Larissinha, mas é porque isso aconteceu comigo 2478 vezes, portanto, cada vez que eu conto essa história eu to contando uma vez diferente.

Taise disse...

kkkkkk, parece uma história real que se passa numa cidadezinha chamada Pio IX!!! será!?! kkkkkk
me acabando de rir..

Mara Arrais disse...

Passei pelos meeeeeesmos aperreios. A desmemoriada, a repeteco, a violeenta! Todas! kkkk
Adorei a história, Léo!
Beijos!

Deixe de lado tudo disse...

Leozinho la em pio-ix vamos fazer esse percurso, quero saber quem sao todas essas vovozinhas, so me lembro a da 1 esquina depois q sai da sua casa. Bj.